Autismo · Avaliação em Belo Horizonte
Psiquiatra infantil para autismo em BH: como funciona a avaliação e o acompanhamento
Por Dra. Gisela Alves, psiquiatra da infância e adolescência Publicado em
Quem chega a esta página costuma trazer uma dúvida antiga: a escola comentou alguma coisa, um parente insistiu, o resultado de um questionário veio alterado, ou a própria família percebe há meses que algo no jeito da criança pede um olhar mais cuidadoso. Aqui está, de forma direta, como funciona a avaliação de autismo no consultório em Belo Horizonte, o que ela inclui e o que vem depois.
Resposta rápida
Sim, o psiquiatra da infância e adolescência pode avaliar e diagnosticar o autismo. O diagnóstico é clínico: nenhum exame de laboratório ou de imagem confirma o autismo [2]. No consultório, a avaliação começa, de preferência, com uma conversa só com a família sobre a história da criança. Cada encontro dura cerca de uma hora, e não há um número fixo de encontros: depende de cada criança. Escalas como M-CHAT, CARS e SRS-2 podem ajudar, mas não decidem nada sozinhas. O relatório médico é emitido quando a avaliação é concluída.
Quando procurar uma avaliação de autismo?
A família não precisa chegar com uma certeza. A preocupação de quem convive com a criança já é motivo suficiente para conversar com um profissional. Alguns exemplos de situações que costumam levar as famílias ao consultório:
- a criança responde pouco quando é chamada, aponta pouco para mostrar as coisas ou divide pouco o que acha interessante;
- a fala está atrasada, ou a criança fala, mas tem dificuldade de conversar e de brincar com outras crianças;
- há interesses muito intensos, movimentos repetitivos ou grande sofrimento com mudanças de rotina;
- barulhos, texturas ou lugares cheios causam reações muito fortes;
- o resultado do M-CHAT na Caderneta da Criança veio alterado;
- a escola percebe dificuldades de convivência que a família não sabe explicar.
Nenhum desses sinais, isolado, significa autismo. Para entender como eles costumam aparecer em cada idade, leia o guia dos primeiros sinais de autismo e o texto sobre atraso da fala e autismo.
Também não existe idade "certa demais" para avaliar. A Academia Americana de Pediatria lembra que o diagnóstico já é possível por volta dos 18 meses [1], mas muitas crianças só são avaliadas mais tarde, sobretudo quando os sinais são mais discretos. O consultório atende crianças e adolescentes de 2 a 16 anos.
Psiquiatra infantil pode diagnosticar autismo?
Pode. O diagnóstico de autismo é clínico: parte do que a família conta sobre o desenvolvimento e do que o profissional observa na criança, sem depender de exame de laboratório ou de imagem [2]. Por isso, o que mais pesa numa avaliação é a escuta da história e o exame psíquico, que é a observação atenta de como a criança se comunica, brinca, se relaciona e reage ao ambiente.
Exames podem ser pedidos em algumas situações, mas com outro objetivo: investigar possíveis causas e condições de saúde que acompanham o autismo [1]. Avaliar a audição, por exemplo, é importante sempre que a fala está atrasada. Conforme a necessidade de cada criança, a avaliação também pode envolver outros profissionais, como fonoaudiólogo, neuropsicólogo e terapeuta ocupacional.
Como funciona a avaliação de autismo no consultório?
O que segue descreve a forma de trabalho da Dra. Gisela. Outros profissionais podem organizar a avaliação de outro jeito, e isso não torna uma forma certa e a outra errada.
A primeira consulta
O ideal é que a primeira consulta seja só com os pais ou responsáveis. É o momento de contar, com calma e com detalhes, toda a história de vida da criança: gestação, primeiros anos, desenvolvimento, escola, rotina, o que preocupa e desde quando. Sem a criança presente, a família costuma ficar mais à vontade para falar de tudo.
Dito isso, muitas famílias preferem levar a criança já no primeiro encontro, e tudo bem. Nesse caso, ela participa da avaliação inicial junto com os pais.
A avaliação pode ser online?
Pode, desde que haja condições apropriadas para isso e que o formato não traga dificuldades para a avaliação daquela criança. Essas condições são observadas pela Dra. Gisela caso a caso. Quando o atendimento online não for o mais adequado, a avaliação é feita no consultório.
Quantas consultas são necessárias?
Não existe uma regra. Cada encontro dura cerca de uma hora, e o número de encontros depende do que a criança apresenta:
- quando o quadro é bastante característico, a avaliação pode ser concluída em poucos encontros;
- quando a história não é tão evidente e os sinais são mais sutis, mas a criança tem prejuízos importantes no dia a dia, é preciso uma avaliação mais detalhada, com mais encontros.
Uma avaliação mais longa não significa que algo grave foi encontrado. Significa que a resposta exige mais cuidado para ser dada com segurança.
Escalas e questionários
Em diferentes momentos da avaliação, podem ser usadas escalas padronizadas. Elas ajudam a organizar a observação e a acompanhar a evolução, mas não são determinantes e não substituem a avaliação clínica e o exame psíquico detalhado. As mais usadas no consultório são:
| Escala | O que é | O que ela não faz |
|---|---|---|
| M-CHAT-R/F | Questionário de triagem respondido pela família, para crianças de 16 a 30 meses [3]. Faz parte da Caderneta da Criança [2]. | Não dá diagnóstico: indica se há risco e se vale aprofundar a avaliação. |
| CARS | Escala preenchida pelo profissional a partir da observação da criança. Tem versão traduzida e validada no Brasil, a CARS-BR [4]. | Uma meta-análise concluiu que ela deve ser usada como apoio, junto com outros instrumentos, e não como critério único [5]. |
| SRS-2 | Escala de Responsividade Social: questionário sobre o comportamento social da criança no dia a dia, respondido por quem convive com ela. Mede traços do espectro de forma gradual, e não em "sim ou não" [6]. | Uma pontuação alta, sozinha, não fecha diagnóstico; ela precisa ser lida junto com a história e a observação. |
Fontes: Robins et al., Pediatrics, 2014 [3]; Pereira et al., Jornal de Pediatria, 2008 [4]; Moon et al., Dev Med Child Neurol, 2019 [5]; Bölte et al., Autism Research, 2008 [6], estudo feito com a primeira versão da SRS.
Há na internet muitos "testes de autismo" para fazer em casa. Eles podem ajudar a família a organizar o que observa, mas nenhum deles, nem as escalas acima, dá diagnóstico sozinho.
O relatório médico
Sim, é emitido um relatório médico no momento em que a avaliação é concluída.
Como é o acompanhamento depois da avaliação?
Depois da avaliação, quando a família decide seguir com o acompanhamento, a presença da criança é fundamental em todas as consultas. Cada consulta tem dois momentos: primeiro, o atendimento individual da criança; em seguida, a conversa com os pais ou responsáveis.
O acompanhamento olha para a criança inteira, e não só para o autismo. Dificuldades de sono e de alimentação, TDAH e ansiedade, por exemplo, podem aparecer junto com o autismo e afetam a qualidade de vida da criança [1]. As decisões sobre terapias e, quando for o caso, sobre medicamentos são tomadas em conjunto com a família, como recomenda a Academia Americana de Pediatria [1].
Vale lembrar que estimular o desenvolvimento não depende do diagnóstico fechado. A Caderneta da Criança orienta começar estratégias de estimulação assim que se percebe que a criança ainda não alcançou algum marco do desenvolvimento, sem esperar uma confirmação diagnóstica [2].
E se não for autismo?
Uma avaliação bem feita também serve para isso. Atraso de linguagem, perda auditiva, TDAH, ansiedade e deficiência intelectual, entre outras condições, podem ter sinais parecidos com os do autismo, e algumas delas também podem aparecer junto com ele [1]. O texto sobre atraso da fala e autismo mostra como essa diferença é pensada nas crianças pequenas. Chegar à conclusão de que não é autismo também é uma resposta, e ela costuma vir acompanhada de orientações sobre o que a criança precisa.
Avaliação de autismo pelo SUS em Belo Horizonte
As consultas no consultório são particulares e não há atendimento por convênios. Para as famílias que dependem do SUS, a Prefeitura de Belo Horizonte descreve este caminho [7]:
- Centro de Saúde mais próximo de casa: é a porta de entrada. Havendo suspeita, a equipe já começa a agir, sem esperar o diagnóstico fechado.
- CREABs (Centros de Referência em Reabilitação): fazem avaliação especializada e reabilitação.
- Centro de Autismo da Santa Casa: recebe os casos de maior complexidade.
- CERSAMIs: centros de referência em saúde mental que atendem crianças e adolescentes em situações de crise.
Fora de Belo Horizonte, o primeiro passo também é a unidade básica de saúde do seu município, levando a Caderneta da Criança e o que a família e a escola já observaram.
Onde fica o consultório
O consultório fica na Av. do Contorno, 5351, sala 302, Edifício Asteca, no bairro Funcionários, em Belo Horizonte. O atendimento é de segunda a sexta, das 8h às 17h, e aos sábados, das 8h às 12h. Também há atendimento online, nas condições descritas acima. Os horários e as formas de contato estão na página de contato.
Perguntas frequentes
Devo levar meu filho na primeira consulta?
O ideal é que a primeira consulta seja só com os pais ou responsáveis, para contar a história da criança com detalhes. Se a família preferir levar a criança, ela participa da avaliação inicial junto com os pais.
Quanto tempo dura a avaliação de autismo?
Cada encontro dura cerca de uma hora. O número de encontros varia: quadros bem característicos podem ser concluídos em poucos encontros, e quadros mais sutis pedem uma avaliação mais detalhada.
Existe um teste que confirma o autismo?
Não. O diagnóstico é clínico, feito a partir da história e da observação da criança [2]. Escalas como M-CHAT, CARS e SRS-2 ajudam, mas não confirmam nem descartam o autismo sozinhas.
A avaliação de autismo pode ser feita online?
Pode, quando há condições adequadas para isso e o formato não traz dificuldades para a avaliação. A Dra. Gisela observa essas condições em cada caso.
A avaliação gera laudo?
Sim. O relatório médico é emitido quando a avaliação é concluída.
Meu filho precisa vir em todas as consultas do acompanhamento?
Sim. No acompanhamento, a presença da criança é fundamental em todas as consultas: primeiro ela é atendida individualmente, e depois a conversa é com os pais.
Vocês atendem convênio?
Não. As consultas são particulares. Pelo SUS, o caminho em Belo Horizonte começa no Centro de Saúde mais próximo de casa [7].
O que é importante lembrar
- A preocupação da família já é motivo para pedir uma avaliação. Não é preciso ter certeza.
- O diagnóstico de autismo é clínico. Nenhum exame ou escala, sozinho, confirma ou descarta.
- A avaliação não tem um número fixo de encontros: o tempo depende de cada criança.
- Concluir que não é autismo também é uma resposta, e orienta o que a criança precisa.
- O apoio ao desenvolvimento pode começar antes do diagnóstico, e há caminho também pelo SUS.
Esta página explica como a avaliação funciona e não substitui uma consulta. Se a criança perder habilidades que já tinha, tiver uma convulsão ou houver risco de se machucar, procure atendimento com rapidez.
Referências científicas
- Hyman SL, Levy SE, Myers SM; Council on Children with Disabilities, Section on Developmental and Behavioral Pediatrics. Identification, Evaluation, and Management of Children With Autism Spectrum Disorder. Pediatrics. 2020;145(1):e20193447. DOI: 10.1542/peds.2019-3447. PMID: 31843864.
- Brasil. Ministério da Saúde. Caderneta da Criança: Passaporte da Cidadania. 7ª edição. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. Biblioteca Virtual em Saúde.
- Robins DL, Casagrande K, Barton M, Chen CM, Dumont-Mathieu T, Fein D. Validation of the Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised with Follow-Up (M-CHAT-R/F). Pediatrics. 2014;133(1):37–45. DOI: 10.1542/peds.2013-1813. PMID: 24366990.
- Pereira A, Riesgo RS, Wagner MB. Childhood autism: translation and validation of the Childhood Autism Rating Scale for use in Brazil. J Pediatr (Rio J). 2008;84(6):487–494. DOI: 10.2223/JPED.1828. PMID: 18923798.
- Moon SJ, Hwang JS, Shin AL, et al. Accuracy of the Childhood Autism Rating Scale: a systematic review and meta-analysis. Dev Med Child Neurol. 2019;61(9):1030–1038. DOI: 10.1111/dmcn.14246. PMID: 30977125.
- Bölte S, Poustka F, Constantino JN. Assessing autistic traits: cross-cultural validation of the Social Responsiveness Scale (SRS). Autism Res. 2008;1(6):354–363. DOI: 10.1002/aur.49. PMID: 19360690.
- Prefeitura de Belo Horizonte. Secretaria Municipal de Saúde. Transtorno do Espectro Autista (TEA). Atualizado em 8 out. 2026. prefeitura.pbh.gov.br.