Autismo · Sinais precoces

Primeiros sinais de autismo: o que observar do bebê aos 3 anos

Por , psiquiatra da infância e adolescência Publicado em · Atualizado em

Talvez você tenha notado que seu filho quase não atende quando é chamado. Ou que ele não aponta para mostrar as coisas, ainda não fala, ou brinca sempre do mesmo jeito. Talvez alguém da família tenha comentado. E agora você quer saber se isso pode ser autismo.

Resposta rápida

Os primeiros sinais de autismo costumam ficar mais claros entre 12 e 24 meses. Envolvem principalmente a comunicação e a interação social: olhar menos para os rostos, responder pouco ao nome, apontar pouco para mostrar algo e compartilhar menos o interesse com os adultos. Podem vir acompanhados de comportamentos repetitivos com objetos. Nenhum sinal isolado fecha diagnóstico, mas um conjunto de sinais, ou a perda de algo que a criança já sabia fazer, merece avaliação. Não é preciso esperar para ver se passa.

Este texto explica o que a ciência sabe sobre esses sinais, como eles costumam aparecer em cada idade e quando procurar um profissional. Ele não substitui uma avaliação: serve para ajudar você a observar com mais clareza e a conversar melhor com quem acompanha seu filho.

O que é o autismo, em poucas palavras?

Autismo é o nome usado no dia a dia para o transtorno do espectro autista (TEA), que faz parte das condições do neurodesenvolvimento: aquelas ligadas ao jeito como o cérebro se desenvolve e funciona. Ele aparece em duas áreas: comunicação e interação social, e padrões restritos ou repetitivos de comportamentos, interesses ou atividades [1]. "Espectro" quer dizer que essas características se apresentam de formas e intensidades muito diferentes de uma criança para outra [2].

Não existe exame de sangue nem de imagem que confirme o autismo. O diagnóstico é clínico: vem da observação do comportamento da criança e do relato da família sobre o desenvolvimento [4].

Quais são os primeiros sinais de autismo?

Um grupo de especialistas reuniu a literatura sobre o assunto em um consenso publicado na revista Pediatrics. Segundo ele, a evidência mais forte aponta dois tipos de sinal entre 12 e 24 meses: menos atenção social e menos comunicação social, e mais comportamentos repetitivos com objetos [2]. O consenso cita ainda diferenças nos movimentos do corpo e no temperamento como possíveis marcadores adicionais, ainda em estudo.

Na prática, isso costuma se mostrar das formas descritas a seguir. Os exemplos vêm do consenso e da diretriz britânica NICE [2, 3].

Na comunicação e na interação social

  • Responde pouco ou não responde ao próprio nome, mesmo ouvindo bem.
  • Olha pouco para os rostos e sorri menos em resposta ao sorriso dos outros.
  • Usa poucos gestos para se comunicar, como apontar, dar tchau ou balançar a cabeça. Às vezes, em vez de apontar, pega a mão do adulto e a leva até o que quer.
  • Compartilha pouco o interesse. Não aponta para mostrar um avião nem traz um brinquedo só para mostrar, e não olha para onde o adulto aponta. Os especialistas chamam essa habilidade de atenção compartilhada: a criança e o adulto prestam atenção juntos na mesma coisa e sabem disso.
  • Imita pouco as ações dos outros e brinca pouco de faz de conta.
  • Mostra pouco interesse em outras crianças, ou se aproxima delas de um jeito que parece brusco.

Nos comportamentos repetitivos e nos interesses

  • Movimentos repetitivos com o corpo, como balançar as mãos, balançar o corpo, girar ou mexer os dedos diante dos olhos. Esses movimentos se chamam estereotipias. Em um estudo com entrevistas, adultos autistas descreveram esses movimentos como uma forma de se acalmar e de expressar emoções intensas [13].
  • Brincadeira repetitiva, como abrir e fechar portas muitas vezes, ou usar os objetos de um jeito diferente do habitual.
  • Interesses muito intensos ou incomuns e grande dificuldade com mudanças na rotina.

Nas reações sensoriais

  • Reação muito forte ou muito fraca a sons, texturas, cheiros ou luzes. Por exemplo, a criança tapa os ouvidos com o liquidificador ou parece não sentir dor. Isso se chama hiper ou hiporreatividade sensorial.
  • Seletividade alimentar intensa, ligada à textura, ao cheiro ou à aparência dos alimentos [3].

Um sinal sozinho não é diagnóstico. Muitas crianças sem autismo fazem uma ou outra dessas coisas em algum momento. O que os profissionais avaliam é o conjunto: comunicação, interação, brincadeira, interesses, aspectos sensoriais e, principalmente, como tudo isso evolui ao longo do tempo [2].

O autismo pode aparecer em bebês com menos de 1 ano?

Na maioria dos casos, os sinais ainda são difíceis de reconhecer antes dos 12 meses. Até hoje, as pesquisas não encontraram sinais confiáveis e consistentes de autismo no primeiro ano de vida [2].

Uma revisão sistemática de 2023 analisou estudos com bebês de 0 a 6 meses. Encontrou alguma evidência de diferenças na atenção e nos movimentos. Mas os resultados sobre comportamentos sociais e de comunicação foram inconsistentes, e os autores concluíram que ainda não dá para tirar conclusões firmes [9].

Um estudo que acompanhou bebês desde os 6 meses ajuda a entender o porquê. Aos 6 meses, os bebês que depois receberam diagnóstico de autismo olhavam para rostos, sorriam e vocalizavam para os outros com frequência muito parecida com a dos demais. As diferenças apareceram aos poucos, com uma diminuição gradual desses comportamentos, e na maioria das medidas ficaram claras por volta dos 12 meses [8]. Em outras palavras, os sinais costumam surgir ao longo do desenvolvimento, e não estar presentes desde o nascimento.

O que isso significa para você: um bebê de poucos meses que em alguns momentos olha menos para os pais não está, por isso, "mostrando autismo". Vale acompanhar o desenvolvimento nas consultas de rotina e conversar com o pediatra se algo chamar a atenção.

Sinais por idade: o que a maioria das crianças já faz

Uma boa forma de observar é comparar com os marcos do desenvolvimento. Os marcos abaixo foram revisados por um grupo da Academia Americana de Pediatria para o programa de acompanhamento do desenvolvimento do CDC, a agência de saúde pública dos Estados Unidos. Foram escolhidos marcos que pelo menos 75% das crianças já alcançaram na idade indicada. Um dos objetivos declarados da revisão foi desencorajar a postura de "esperar para ver" [6].

Comunicação e interação social: o que a maioria das crianças já mostra em cada idade
IdadeO que a maioria das crianças já faz
9 mesesOlha quando é chamada pelo nome; sorri ou ri na brincadeira de "cadê… achou!"; reage quando você sai (olha, estica os braços ou chora); levanta os braços para pedir colo
12 mesesDá tchau; brinca de jogos com você, como bate-palminha; chama os pais de "mamã", "papá" ou outro nome especial
15 mesesMostra para você um objeto de que gosta; aponta para pedir algo ou pedir ajuda; olha para um objeto conhecido quando você diz o nome dele; imita outras crianças brincando
18 mesesAponta para mostrar algo interessante; tenta dizer 3 ou mais palavras além de "mamã" e "papá"; olha alguns livrinhos com você
24 mesesJunta pelo menos 2 palavras ("mais leite"); olha para o seu rosto para saber como reagir numa situação nova; percebe quando alguém se machuca ou fica triste; usa outros gestos além de dar tchau e apontar, como mandar beijo ou acenar "sim" com a cabeça
30 mesesFala cerca de 50 palavras; brinca perto de outras crianças e às vezes com elas; chama você para mostrar o que sabe fazer ("Olha!")

Fonte: Zubler et al., Pediatrics, 2022 [6]. Seleção dos marcos de comunicação e interação social. A lista completa também traz marcos motores e cognitivos.

Como usar esta tabela. Ela não é um teste de autismo. Uma criança que ainda não alcançou um marco pode estar só no seu ritmo, ou pode ter outra condição, como perda auditiva ou atraso de linguagem. Mesmo assim, não alcançar um marco é motivo para conversar com o pediatra. E quando faltam vários marcos de comunicação e interação ao mesmo tempo, vale uma atenção maior.

E por volta dos 3 anos?

Perto dos 3 anos, e na idade pré-escolar, a diretriz NICE descreve outros sinais além dos já citados [3]:

  • Atraso de linguagem. Um exemplo citado é ter menos de dez palavras aos 2 anos.
  • Linguagem com características incomuns, quando a criança já fala: entonação diferente ou "monótona", ou repetir palavras e frases que ouviu. Essa repetição se chama ecolalia. Ela também aparece no desenvolvimento típico da fala e é considerada, cada vez mais, uma forma de comunicação, e não apenas uma repetição sem sentido [14].
  • Falar de si mesma na terceira pessoa, pelo nome ou como "você", depois dos 3 anos.
  • Pouco faz de conta, ou faz de conta sempre igual.
  • Pouca iniciativa para brincar com outras pessoas, pouco interesse por situações que a maioria das crianças adora, como festas de aniversário, e pouca partilha de alegria.
  • Insistência em que as coisas sejam sempre iguais, com reações muito intensas a mudanças.

Não olhar nos olhos significa autismo?

Não necessariamente. Olhar pouco nos olhos pode ter várias explicações, como timidez, cansaço, temperamento ou um problema de visão. Isoladamente, não indica autismo.

O contrário também vale, e muitos pais se surpreendem com isso: olhar nos olhos não descarta autismo. A diretriz NICE orienta os profissionais a não descartar o diagnóstico só porque a criança faz bom contato visual, sorri, é carinhosa com a família, brinca de faz de conta ou falou na idade esperada [3]. O que importa é como o olhar, os gestos, a fala e as expressões se combinam na comunicação do dia a dia.

Atraso da fala significa autismo?

Não. Atraso da fala pode acontecer por muitos motivos e, sozinho, não estabelece diagnóstico de autismo. No autismo, o que chama a atenção é o conjunto: além da fala, a criança usa pouco os gestos, o olhar e as expressões para se comunicar e compartilhar interesse, e há padrões repetitivos de comportamento ou interesses [1, 3].

Um ponto prático importante: quando a criança tem atraso de fala ou não responde ao nome, é importante avaliar a audição. A perda auditiva entra na lista de condições que os profissionais precisam diferenciar do autismo [3]. Não é por acaso que o questionário de triagem usado no Brasil pergunta: "Alguma vez você se perguntou se o seu filho pode ser surdo?" [4].

A diretriz NICE também orienta a não presumir que um atraso de linguagem se explica só porque a família fala outra língua em casa [3]. Se houver preocupação, vale avaliar.

Para entender melhor as causas de atraso da fala e o que diferencia cada uma, veja o artigo atraso da fala significa autismo?

Perder habilidades é um sinal de alerta?

Sim. Perder algo que a criança já fazia, como palavras, gestos, interesse pelas pessoas ou habilidades motoras, merece avaliação sem demora, em qualquer idade.

No autismo, a perda de habilidades se chama regressão. Uma meta-análise de 2021 reuniu 75 estudos e estimou que cerca de 30% das crianças autistas passam por alguma perda de habilidades. A idade média de início foi de cerca de 20 meses [10]. Os próprios autores alertam que os estudos usam definições muito diferentes de regressão, então esses números são aproximados.

A perda nem sempre é súbita. No estudo que acompanhou bebês desde os 6 meses, a avaliação repetida mostrou diminuição de habilidades sociais na maioria das crianças que depois receberam o diagnóstico. Ainda assim, a maioria dos pais não relatou ter percebido uma regressão [8]. Às vezes ela é gradual e silenciosa.

A diretriz NICE separa duas situações [3]:

  • Perda de linguagem ou de habilidades sociais antes dos 3 anos: a criança deve ser encaminhada para avaliação diagnóstica de autismo.
  • Perda de habilidades motoras em qualquer idade, ou de linguagem depois dos 3 anos: a criança deve passar primeiro por avaliação pediátrica ou neurológica. Outras condições precisam ser investigadas.

Por que alguns sinais passam despercebidos?

Em meninas

Uma meta-análise de 2017 estimou que, entre as crianças que preenchem critérios para autismo, há cerca de 3 meninos para cada menina. Os autores apontaram indícios de um viés no diagnóstico: meninas que preenchem critérios correm maior risco de não serem diagnosticadas [12]. A diretriz NICE também alerta que o autismo pode ser sub-reconhecido em meninas [3].

Em crianças que falam bem ou que têm outras condições

O autismo pode passar despercebido em crianças que falam bem. Também pode passar despercebido em crianças com deficiência intelectual, quando todas as dificuldades são atribuídas a ela [3].

Quando já existe um irmão autista

Em um grande estudo internacional, 18,7% dos irmãos mais novos de crianças autistas também receberam o diagnóstico até os 3 anos. Esse percentual é bem maior do que o observado na população geral [11]. Isso significa que vale um acompanhamento mais atento do desenvolvimento desses irmãos. Também significa que a maioria deles (mais de 80%) não teve autismo no estudo.

O que é o M-CHAT-R/F e quando ele é usado?

O M-CHAT-R/F é um questionário de triagem de sinais de risco para autismo, respondido pelos pais ou cuidadores, para crianças de 16 a 30 meses. Desde a 7ª edição (2024), ele faz parte da Caderneta da Criança do Ministério da Saúde [4]. Uma lei de 2017 já tornava obrigatório, no SUS, aplicar um protocolo de avaliação de risco para o desenvolvimento psíquico em todas as crianças nos primeiros 18 meses de vida [5]. Nos Estados Unidos, a Academia Americana de Pediatria recomenda a triagem para autismo aos 18 e aos 24 meses, junto com o acompanhamento contínuo do desenvolvimento [1].

Três pontos ajudam a entender o resultado:

  1. Triagem não é diagnóstico. A própria Caderneta avisa que o resultado pode ser um falso positivo. Um resultado alterado não confirma autismo [4].
  2. Um resultado alterado quase sempre merece avaliação. No estudo de validação, entre as crianças com resultado positivo após a entrevista de seguimento, cerca de metade recebeu diagnóstico de autismo. Quase 95% tinham algum atraso ou alguma questão de desenvolvimento que justificava atenção [7].
  3. Um resultado de baixo risco não anula a preocupação da família. Segundo a Caderneta, se a família ou o profissional suspeitar de algo, a criança deve ser encaminhada para avaliação mesmo com resultado de baixo risco [4].

Para entender cada etapa do questionário e o que fazer com o resultado, veja o artigo M-CHAT: o que é o teste e o que fazer com o resultado.

Com quantos anos o autismo pode ser diagnosticado?

Segundo a Academia Americana de Pediatria, o autismo pode ser diagnosticado a partir de 18 meses [1]. Na prática, muitas crianças recebem o diagnóstico bem mais tarde. O consenso de 2015 observou que o diagnóstico costumava acontecer só entre 3 e 4 anos, embora muitos pais já tivessem levado suas preocupações ao pediatra por volta dos 18 meses [2].

Você não precisa ter certeza de que é autismo para pedir uma avaliação. Basta a preocupação. E o apoio ao desenvolvimento não precisa esperar o diagnóstico: a Caderneta da Criança orienta iniciar estratégias de estimulação assim que se identifica a ausência de algum marco, independentemente de uma confirmação diagnóstica posterior [4].

Quando procurar avaliação profissional?

O primeiro passo costuma ser conversar com o pediatra ou com a equipe da Unidade Básica de Saúde que acompanha a criança. Leve suas observações anotadas e, se puder, pequenos vídeos do dia a dia. Eles ajudam muito o profissional a ver o que acontece em casa.

Vale marcar uma avaliação

Sem pânico, mas sem adiar por meses, quando:

  • a criança não alcançou vários marcos de comunicação e interação para a idade dela (veja a tabela acima);
  • aos 18 meses, ainda não aponta para mostrar coisas nem compartilha interesse;
  • usa poucos gestos, responde pouco ao nome ou brinca pouco de faz de conta;
  • o M-CHAT-R deu risco médio;
  • você, a escola ou outra pessoa próxima percebe diferenças que se mantêm ao longo das semanas.

Procure avaliação com mais rapidez

Quando:

  • a criança perdeu habilidades que já tinha (palavras, gestos, interesse social ou habilidades motoras) [3];
  • o M-CHAT-R deu risco elevado. A Caderneta orienta encaminhamento imediato para avaliação diagnóstica e intervenção precoce [4];
  • há suspeita de que a criança não escuta bem.

E se você continua preocupado mesmo depois de ouvir que "é cedo" ou que "cada criança tem seu tempo", é legítimo pedir uma segunda opinião. Procurar avaliação não é exagero nem sinal de que a família fez algo errado. É atenção.

Exemplo ilustrativo · não se refere a nenhum paciente real

Aos 20 meses, Lucas fala poucas palavras. A família repara que ele quase nunca aponta para mostrar algo, não olha quando é chamado se está entretido e passa longos períodos abrindo e fechando a porta do armário. Ele é carinhoso e ri quando brincam de cócegas. Nenhum desses comportamentos, sozinho, fecha diagnóstico. Juntos, e persistentes, são exatamente o tipo de conjunto que justifica uma avaliação, incluindo a da audição.

Perguntas frequentes

Meu bebê de 4 meses olha pouco para mim. Pode ser autismo?

Não é possível dizer isso a partir de um comportamento nessa idade. As pesquisas ainda não identificaram sinais confiáveis de autismo antes dos 12 meses, e os sinais costumam surgir aos poucos ao longo do desenvolvimento [2, 8, 9]. Acompanhe os marcos nas consultas de rotina e converse com o pediatra se a preocupação continuar.

Meu filho fala bem. Ele pode ser autista?

Pode. Falar bem não descarta autismo. O autismo envolve o uso social da comunicação, além de padrões repetitivos de comportamento e interesses. A diretriz NICE alerta que ele pode passar despercebido em crianças que falam bem [3].

Meu filho brinca sempre do mesmo jeito. É autismo?

Não necessariamente. Repetir brincadeiras faz parte da infância. O que chama a atenção é quando a brincadeira repetitiva é muito intensa e ocupa grande parte do tempo, quando aparece junto com dificuldades de comunicação e interação, e quando há pouca variação e pouco faz de conta [2, 3].

O M-CHAT do meu filho deu risco. Ele tem autismo?

Não necessariamente. O M-CHAT-R/F é um instrumento de triagem e pode dar falso positivo [4]. Ainda assim, no estudo de validação, quase todas as crianças com resultado positivo após a entrevista de seguimento tinham alguma questão de desenvolvimento que merecia atenção [7]. Por isso o caminho é a avaliação, não a espera.

O irmão mais velho é autista. O mais novo também será?

A chance é maior do que na população geral. Em um grande estudo, cerca de 1 em cada 5 irmãos mais novos (18,7%) recebeu o diagnóstico até os 3 anos, e a maioria não recebeu [11]. Vale acompanhar o desenvolvimento do irmão mais novo de perto e conversar sobre isso com o pediatra desde cedo.

Devo esperar para ver se melhora?

Não é o recomendado. Os marcos do desenvolvimento usados no acompanhamento infantil foram revisados justamente para desencorajar a postura de "esperar para ver" [6]. E a Caderneta da Criança orienta iniciar o estímulo ao desenvolvimento assim que se percebe a ausência de algum marco, mesmo sem diagnóstico confirmado [4].

O que é importante lembrar

  1. Os primeiros sinais de autismo costumam ficar mais claros entre 12 e 24 meses e envolvem principalmente a comunicação e a interação social.
  2. Nenhum sinal isolado faz diagnóstico. O que importa é o conjunto e como ele evolui com o tempo.
  3. Olhar nos olhos ou falar bem não descarta autismo, e atraso da fala não confirma. A audição deve sempre ser avaliada.
  4. Perder habilidades que a criança já tinha, em qualquer idade, merece avaliação sem demora.
  5. A preocupação da família é motivo suficiente para pedir uma avaliação, e o apoio ao desenvolvimento não precisa esperar o diagnóstico.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

Referências científicas

  1. Hyman SL, Levy SE, Myers SM; Council on Children with Disabilities, Section on Developmental and Behavioral Pediatrics. Identification, Evaluation, and Management of Children With Autism Spectrum Disorder. Pediatrics. 2020;145(1):e20193447. DOI: 10.1542/peds.2019-3447. PMID: 31843864.
  2. Zwaigenbaum L, Bauman ML, Stone WL, et al. Early Identification of Autism Spectrum Disorder: Recommendations for Practice and Research. Pediatrics. 2015;136(Suppl 1):S10–S40. DOI: 10.1542/peds.2014-3667C. PMID: 26430168.
  3. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Autism spectrum disorder in under 19s: recognition, referral and diagnosis. Clinical guideline CG128. Publicada em 2011, atualizada em 2017. nice.org.uk/guidance/cg128.
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Caderneta da Criança: Passaporte da Cidadania. 7ª edição. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. Biblioteca Virtual em Saúde.
  5. Brasil. Lei nº 13.438, de 26 de abril de 2017. Torna obrigatória a adoção pelo SUS de protocolo de avaliação de riscos para o desenvolvimento psíquico das crianças. planalto.gov.br.
  6. Zubler JM, Wiggins LD, Macias MM, et al. Evidence-Informed Milestones for Developmental Surveillance Tools. Pediatrics. 2022;149(3):e2021052138. DOI: 10.1542/peds.2021-052138. PMID: 35132439.
  7. Robins DL, Casagrande K, Barton M, Chen CM, Dumont-Mathieu T, Fein D. Validation of the Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised with Follow-Up (M-CHAT-R/F). Pediatrics. 2014;133(1):37–45. DOI: 10.1542/peds.2013-1813. PMID: 24366990.
  8. Ozonoff S, Iosif AM, Baguio F, et al. A prospective study of the emergence of early behavioral signs of autism. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2010;49(3):256–266. PMID: 20410715.
  9. Cleary DB, Maybery MT, Green C, Whitehouse AJO. The first six months of life: A systematic review of early markers associated with later autism. Neurosci Biobehav Rev. 2023;152:105304. DOI: 10.1016/j.neubiorev.2023.105304. PMID: 37406749.
  10. Tan C, Frewer V, Cox G, Williams K, Ure A. Prevalence and Age of Onset of Regression in Children with Autism Spectrum Disorder: A Systematic Review and Meta-analytical Update. Autism Res. 2021;14(3):582–598. DOI: 10.1002/aur.2463. PMID: 33491292.
  11. Ozonoff S, Young GS, Carter A, et al. Recurrence risk for autism spectrum disorders: a Baby Siblings Research Consortium study. Pediatrics. 2011;128(3):e488–e495. DOI: 10.1542/peds.2010-2825. PMID: 21844053.
  12. Loomes R, Hull L, Mandy WPL. What Is the Male-to-Female Ratio in Autism Spectrum Disorder? A Systematic Review and Meta-Analysis. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2017;56(6):466–474. DOI: 10.1016/j.jaac.2017.03.013. PMID: 28545751.
  13. Kapp SK, Steward R, Crane L, et al. 'People should be allowed to do what they like': Autistic adults' views and experiences of stimming. Autism. 2019;23(7):1782–1792. DOI: 10.1177/1362361319829628. PMID: 30818970.
  14. McFayden TC, Kennison SM, Bowers JM. Echolalia from a transdiagnostic perspective. Autism Dev Lang Impair. 2022;7:23969415221140464. DOI: 10.1177/23969415221140464. PMID: 36451974.